EUA veem sinais de que o Irã quer colocar minas navais no Estreito de Ormuz, e Trump faz nova ameaça
Minas marítimas: Guga Chacra avalia estratégia do Irã no Estreito de Ormuz A inteligência dos Estados Unidos identificou sinais de que o Irã planeja instal...
Minas marítimas: Guga Chacra avalia estratégia do Irã no Estreito de Ormuz A inteligência dos Estados Unidos identificou sinais de que o Irã planeja instalar minas navais no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo transportado no mundo. A informação foi publicada pela CBS News nesta terça-feira (10), com base em relatos de autoridades americanas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Segundo a emissora, o Irã estaria usando embarcações pequenas para posicionar minas navais na rota marítima. A estimativa é que o governo iraniano tenha um estoque de até 6 mil unidades. Já a CNN Internacional informou que a instalação das minas já teria começado. 🔎 Minas navais são explosivos colocados no mar que detonam quando entram em contato com navios. São usadas para bloquear ou dificultar a passagem de embarcações por uma rota marítima. A presença de minas no Estreito de Ormuz colocaria em risco qualquer navio que tentasse atravessar a região. O Irã afirma que a rota está fechada desde a semana passada. A área é estratégica e fica entre o território iraniano e a Península Arábica. Após a publicação das reportagens, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu que o Irã desistisse de instalar minas na região ou removesse qualquer explosivo que tenha sido colocado na rota marítima. “Se, por qualquer motivo, minas foram colocadas e não forem removidas imediatamente, as consequências militares para o Irã serão de uma magnitude sem precedentes”, afirmou. Trump disse ainda que os Estados Unidos monitoram a região e vão destruir qualquer embarcação usada para minar o Estreito de Ormuz. Na sequência, o presidente fez uma nova publicação afirmando que os Estados Unidos destruíram 10 barcos usados para lançar minas. Segundo ele, as embarcações estavam inativas. Na segunda-feira (9), Trump já havia ameaçado o Irã com ataques “vinte vezes mais fortes” caso o país tentasse bloquear o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. Em entrevista, o presidente disse que avaliava assumir o controle da região. “Se fizerem qualquer coisa errada, será o fim do Irã e vocês nunca mais ouvirão esse nome novamente”, afirmou. As ameaças ocorrem em meio à pressão do mercado e à alta do barril de petróleo, que se aproximou de US$ 120 na segunda-feira. Os preços podem impactar diretamente a economia americana e influenciar as eleições de novembro nos EUA. LEIA TAMBÉM Israel diz travar 'guerra histórica pela liberdade', se declara aliado dos iranianos e fala em transição de poder: 'Estejam prontos' Crítico de Lula e pivô de polêmica com Moraes: quem é assessor de Trump que quer visitar Bolsonaro Os desafios que esperam o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei O Estreito de Ormuz Foto mostra uma lancha da Guarda Revolucionária do Irã movendo-se em torno do petroleiro Stena Impero, que foi apreendido no Estreito de Ormuz Agência de Notícias Morteza Akhoondi/Tasnim via AP Localizada entre Omã e o Irã, a passagem é responsável pelo transporte de cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo e serve de rota para navios que saem da região produtora rumo à Ásia, à Europa e às Américas. A história do Estreito de Ormuz é marcada por sua importância como corredor comercial e, mais recentemente, como ponto estratégico para a energia mundial. Desde a Antiguidade, a passagem conectava a Pérsia, a Mesopotâmia e a Índia ao Oceano Índico. Nos séculos XVI e XVII, potências europeias disputaram o controle da região para proteger suas rotas marítimas. No século XX, a descoberta de grandes reservas de petróleo no Golfo Pérsico ampliou a relevância do estreito. Após a Segunda Guerra Mundial, ele se consolidou como via essencial para o transporte de petróleo do Oriente Médio para outros continentes. Durante a guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), navios petroleiros foram atacados, e os EUA passaram a escoltar embarcações na região. Desde então, o estreito é um dos principais focos de tensão geopolítica. O Irã já ameaçou fechá-lo em resposta a sanções e conflitos com os EUA e Israel, embora nunca tenha interrompido a navegação por longos períodos. Atualmente, uma fatia expressiva do petróleo consumido no mundo passa por Ormuz, além de grande parte do gás exportado pelo Catar, o que faz com que qualquer conflito na região impacte os preços da energia e os mercados globais. Infográfico - Estreito de Ormuz Arte/g1 VÍDEOS: mais assistidos do g1